Doenças do Fígado: Tumor Adenoma

Informações sobre o Tumor Adenoma em Brasília

Saiba mais sobre o Tumor Adenoma (AHC)

É o terceiro tumor benigno mais frequentemente encontrado no fígado. São de oito a dez vezes mais frequentes em mulheres do que em homens, principalmente naquelas em idade fértil (20 a 40 anos). Tem clara associação hormonal com uso de anticoncepcionais, esteróides anabolizantes, além de poderem crescer e romper na gravidez. Também são associadas a diabetes, polipose adenomatosa familial, esteato-hepatite, doenças de depósito de glicogênio, galactosemia e sobrecarga de ferro. Em geral são solitários variando de menos de 1 cm a mais de 20 cm, 12-30 % são múltiplos e quando é encontrado mais que 10 lesões é designado por definição como adenomatose hepática. Tem especial atenção pelo risco de rotura e malignização.

Os adenomas são tumores amolecidos facilmente sangrantes e bem vascularizados. Na microscopia apresentam praticamente apenas massas de hepatócitos sem a presença de ductos biliares ou tríades portais, além da também ausência das células de Kupfer. São atualmente divididas em quatro grupos com prognósticos e tratamentos diferentes: 1) Adenoma hepatocelular tipo inflamatório ou telangectásico - apresentam mutação da proteína IL6ST (IL-6 signal transducer mutation") antigamente designados hiperplasia nodular focal telangectásica - risco de sangramento de mais de 30 % e risco de malignização (5-10 %); 2) Adenoma hepatocelular tipo esteatótico - apresentam mutação da proteína HNF1alfa ("Hepatocyte nuclear factor-1 alpha mutation" baixo risco de malignização ou rotura; 3) Adenoma Hepatocelular associado a Mutação da proteína Beta-catenina - altíssimo risco de malignização. O tipo mais comum em homens. e 4) Indeterminado - prognóstico variável.

Achados Clínicos

A maioria dos pacientes é assintomática sendo achado incidental em exames de imagem ou avaliação intra-operatória. Entre os sintomas mais comuns observados estão presentes a dor abdominal ( principalmente no lado direito do abdômen) devido a hemorragia interna ou externa, efeito de massa e compressão de órgãos. os adenomas subcapsulares são mais frequentemente associados com hemorragia maciça no peritônio podendo inclusive estar associado a choque hemorrágico e óbito. O risco geral de transformação maligna relatado na literatura tem variado de 4 a 10-15 %. Embora já tenha sido descrito tanto hemorragia quanto transformação maligna em tumores pequenos, a maioria dos casos ocorreram em tumores maiores que 4-5 cm. O tipo com mutação de Beta Catenina tem alto índice de transformação maligna.

Diagnóstico

Frequentemente dado por exames de imagem como tomografia ou ressonância, porém quando não há complicações como por exemplo hemorragia ou necrose, é difícil descrever aspectos clássicos do AHC. Em geral são tumores hipervasculares com nutrição arterial que se enchem rapidamente na fase arterial ficando mais densos que o fígado. Nós esteatóticos pode ocorrer presença de gordura intralesional e nos telangectásicos presença de dilatação sinusoidal. A ressonância com com contraste hepato-específico pode ser útil para diferenciação de adenoma e hiperplasia nodular focal. No entanto, é difícil sua diferenciação com hepatocarcinoma bem diferenciado.

Biópsia por punção

Controvérsias existem em relação a biópsia por punção. Alguns autores não indicam essa abordagem pelo risco de hemorragia, além de dificuldades diagnósticas desse método e chance de disseminação no caso de doença maligna. No entanto, outros acham fundamental para sua classificação e prognóstico. Em alguns casos é adequado a sua extirpação cirúrgica para diagnóstico.

Manejo Terapêutico

Anticoncepcionais e anabolizantes devem ser interrompidos. Alguns casos podem ser acompanhados, enquanto outros devem ser extirpados pelo risco de hemorragia e malignização. Casos sintomáticos também devem ser operados. Também é aconselhável sua extirpação quando o marcador alfafetoproteína está elevado independente do tamanho ou sintomas.