Doenças do Fígado: Hiperplasia Nodular Focal (HNF)

Informações sobre o Lesão hepática benigna "Hiperplasia Nodular Focal" em Brasília

Saiba mais sobre o Hiperplasia Nodular Focal (HNF)

É o segundo tumor benigno mais frequente do fígado depois do hemangioma. Apresenta uma frequência de 3 a 8 %. É 8 vezes mais frequente em mulheres que homens e ocorre geralmente entre 20 a 50 anos. A maioria das lesões são solitárias (80 a 95 %) e pequenas menores que 5 cm, embora lesões múltiplas e maiores que 10 cm possam ocorrer. A incidência desses tumores vem aumentado, talvez pela popularização dos exames de imagem. Alguns investigadores sugerem que o uso de anticoncepcionais possam estar relacionados ao crescimento e aumento da vascularização destas lesões, tendo sido implicados nos poucos casos descritos de complicação com hemorragia.

A HNF representa uma resposta regenerativa ou hiperplástica a hiperperfusão, provavelmente associado a uma anomalia vascular. De fato, uma artéria anômala central é comumente identificada. Se apresenta na macroscopia, como tumor firme e lobulado com áreas fibrosas e cicatriz central umbelicada (presente em 20 a 50 % dos casos). Histologicamente, apresenta aspecto similar a cirrose, com nódulos de regeneração e septos de tecido conjuntivo com desorganização estrutural. Apresenta células de Kupffer e ductos biliares, assim essas características que são presentes na HNF tem sido extremamente úteis para diferenciá-la de adenomas ou hepatocarcinomas. A variante telangectásica é a mais comum caracterizada pela ausência de arquitetura nodular e presença de placas de hepatócitos alimentados por artérias anômalas. Atualmente, a hiperplasia nodular focal telangectásica foi reclassificada como adenoma inflamatório ou telangectásico com risco similar de rotura. Até o presente momento, não foi associado com a HNF malignização.

Achados Clínicos

A HNF raramente apresenta sintomas a maioria é descoberta acidentalmente por exames de imagem ou achado intra-operatório. Raramente podem apresentar hemorragia, rotura ou infarto. Sintomas de compressão de órgãos adjacentes podem ser vistos em casos de lesões de grandes dimensões. Devem ser diferenciados de tumores mais agressivos como adenomas e outros como tumores malignos hepatocarcinoma e colangiocarcinoma.

Diagnóstico

Geralmente é dado por imagem pela Tomografia ou Ressonância, em casos duvidosos eventualmente pode ser usado a cintilografia (vem sendo substituída pela ressonância com contraste hepato-específico primovist).

Na tomografia ou ressonância classicamente observam-se as seguintes características, na fase sem contraste ela é menos densa ou da mesma densidade que o fígado, se tornando mais densa na fase arterial e finalmente apresenta a mesma densidade na fase portal com manutenção desse padrão na fase tardia (de equilíbrio). O achado clássico é a presença da cicatriz central ou achado de uma artéria atravessando a cicatriz na fase arterial. A realização de ressonância com contraste hepato-específico ( Primovista) aumenta o êxito no seu diagnóstico.

Biópsia por punção

Achados na biópsia por punção podem substancialmente se sobrepor aqueles de um hepatocarcinoma bem diferenciado. Assim biópsia por cirurgia (preferencialmente laparoscópica ) ou extirpação total da lesão (preferencialmente laparoscópica ) são recomendáveis quando o diagnóstico por imagem não é claro.

Abordagem Terapêutica

Como a HNF não é associada a malignização e poucos casos apresentam complicações, a maioria das lesões requerem apenas acompanhamento. A extirpação cirùrgica é indicada nos casos sintomáticos, duvidosos (quando não pode ser excluída lesão maligna), quando ocorre crescimento da lesão - mudança nas suas características nos exames de imagem ou ainda quando há complicações. O estrógeno tem sido associado com seu crescimento, assim é razoável considerar a sua interrupção e fazer o seguimento de 6 a 12 meses. Tem sido aconselhável a sua extirpação quando maiores que 8 cm antes da gravidez.