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Adenoma Hepático

Informações sobre o Adenoma Hepático

Saiba mais sobre o Adenoma Hepático

O adenoma hepático (AH) é tumor raro benigno de origem epitelial (corresponde há 2 % de todos os tumores benignos do fígado) que usualmente se desenvolve em um fígado saudável em mulheres jovens e está associado ao uso prolongado de anticoncepcionais orais. Na Europa e América do Norte tem uma incidência de 3 casos/ 100000 /ano. A maioria dos casos apresenta-se como tumor isolado (80-90%), no entanto podem ser múltiplos.

 

Embora a maioria é assintomático, eles podem apresentar complicações ou sintomas. Dentre as mais comuns que são observadas principalmente nos tumores mais volumosos pode-se apresentar dor no hipocôndrio direito, ruptura e transformação maligna. Fatores de risco para desenvolvimento de AH são: obesidade, síndrome metabólica associada a diabetes e doenças de depósito hepático (glicogênio), uso de esteróides anabolizantes e administração de estrôgenios e progesterona.

 

A maioria dos adenomas são solitários e localizados no lobo direito. São tumores amolecidos, desprovidos de cápsula de cor variando de amarela até mais vinhácea. Podem apresentar ainda áreas de hemorragia e necrose. Eventualmente apresentam vasos sanguíneos circunjacentes com áreas hemorrágicas. Basicamente são formados por hepatócitos, assim a ausência de dutos biliares e a raridade de células de Kupfer são caraterísticas histológicas dos AHs. 

 

Existem duas classificações dos AHs, a primeira mais antiga leva consideração 4 tipos de AH assim distribuídos:  1) Tipo esteatótico ou com mutação da proteína HNF1Alfa- é o subtipo mais  comum ocorre em pacientes obesas e em uso de anovulatórios orais. Apresentam esteatose difusa, além de baixo índice de complicações e malignizacao ; 2) Tipo Inflamatório ou telangectásico. Ocorre em etilistas, obesas e com síndrome metabólica. Tem grande tendencia a ruptura. Esses pacientes apresentam comumente Sindrome Inflamatoria Sistêmica.

 

Pode estar associada a amiloidose causando Insuficiencia renal aguda que tende a melhorar com a ressecção do tumor. Apresenta mutação da proteína IL6S. 3) Mutação da proteína Beta catenina. Mais comum em homens e associada com malignização. Pode estar associada a androgênios e doenças de depósito de glicogênio hepático. 4) Tipo indeterminado – não está associado a nenhuma expressão proteica. Uma nova classificação mais complexa do Grupo de Bordeaux  e que envolve 8 subtipos de AH tem sido utilizada em estudos mais recentes. 

 

Geralmente o AH apresenta-se assintomático, mas quando se torna sintomático ocorre devido ao aumento de volume, necrose tumoral ou complicações como sangramento intra-abdominal devido a ruptura espontânea desse tumor supervascularizado. Dor abdominal espontânea e súbita com hipotensão em paciente com AH indica ruptura em peritônio que apresenta, alta mortalidade. O  risco de sangramento é difícil de estimar, mas é maior nos pacientes sintomáticos. Tumor maior que 35 mm tem sido associado com maior sangramento. O sangramento também depende da localização da lesão, assim lesões exofiticas tem maior risco (67%), seguida de sucapsular (19%) e intrahepatica (11%). Lesões no segmento II e III sangram mais que no lobo direito (34 % versus 19%). A visualização na imagem de artérias periféricas ou centrais apresentam uma maior probabilidade de sangramentos. Quando sintomáticos podem levar um quadro de dor em quadrante direito ou icterícia.

 

Não há marcadores sorológicos ou achados laboratoriais para AH, mas certos  achados podem levar ao diagnóstico de AH. O diagnóstico definitivo ‘e dado pela patologia, no entanto realiza-la preoperatoriamente torna-se complicado, pois trata-se de um tumor frágil e altamente vascularizado com risco significante de sangramento no caso de uma biopsia guiada.

     

O diagnóstico na maioria dos casos é realizado por exames de imagem. A ultrassonografia (US) é ótimo exame para primeira avaliação, onde pode ser observado nódulo isoecóico ou hiperecoico , com componente de gordura, vasos ou calcificação. No Doppler pode ser observado vaso central.

 

Na tomografia de abdome com contraste mostra um tumor bem delimitado, com características de ganho periférico na fase precoce com subsequente fluxo sanguíneo centrípeto na fase portal. Consistência heterogênea é usualmente sinal de necrose, hemorragia e fibrose.

 

A ressonância nuclear  magnética com contraste (Primovist) é o padrão ouro para diagnóstico e avaliação dos AH. Nos casos não complicados é importante avaliação da hipervascularidade da lesão, componente de gordura, hemorragia e encapsulação. Apresenta se como massa com sinal heterogêneo com aumento da intensidade devido a gordura ou hemorragia recente ou diminuição da intensidade devido a necrose, calcificação e hemorragia antiga.

 

Tratamento – O tratamento do adenoma pode ser somente observação, ablação por radiofrequência, embolização ou cirurgia. As indicações clássicas de cirurgia são: AH maior que 5 cm, em mulheres fazendo uso de anticoncepcionais quando maiores que 3 cm, com crescimento ‘de seu tamanho, adenomas com foco neoplásico, com β-catenina ativada, imagem com transformação maligna, aumento da alfafetoproteina serica , pacientes sintomáticas,  em homens independente do tamanho e quando o câncer não pode ser excluído. O tipo de cirurgia depende do tamanho, número, tipo de adenoma e localização.

 

As técnicas cirúrgicas variam de enucleação, hepatectomias anatômicas ou não anatômicas até o transplante de fígado.  A enucleação parece uma opção atraente em tumores benignos, mas no AH deve ser indicada com cuidado pela chance de recorrência tumoral ou degeneração maligna que pode levar a piora do prognostico. A enucleação ou as hepatectomias podem ser realizadas com técnicas minimamente invasivas (laparoscopia ou robótica) ou abertas, a depender do expertise da equipe e tamanho-localização da lesão. 

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